Te beijo, te assanho, te ganho, te excito. Te irrito quando digo que acho estranho, o fato de amanhã já nem saber o que vai ser, querendo garantir a sua volta, antes que você suma.
Ela sabia que precisava dele. Pelo menos naquela noite chuvosa e sem grandes esperanças. Mas tinha medo da compulsão. De querer ele sempre e sempre e pra sempre. E amanhã e depois. E de dia, e tarde, de madrugada. E não saber digerir tanto amor e tanto amor acabar lhe fazendo mal. Só mais um pouquinho, pensou. Uma lasquinha. Pra dormir feliz. Amanhã era amanhã. Depois ela resolvia.
As pessoas insistem em chamar algumas coisas de “amor”, mas se você quer saber, eu tenho outros nomes pra isso. Comodismo, por exemplo. Quando você se acostumou tanto com aquela pessoa, aquela situação, aquele cenário dramático, quando você já não sabe mais o quê é sequer olhar outras pessoas de uma forma diferente e simplesmente tem medo de mudar. Egoísmo. Quando você simplesmente não quer ficar sozinho ou quando você não tem certeza que se vai achar outra pessoa. Ilusão. Quando você não gosta da pessoa, gosta só da ideia de estar apaixonado. E a minha preferida… Burrice. Mas se tem algo que eu aprendi é que você não pode controlar ou escolher sentimentos. Não pode determinar o quê sente ou por quem sente. Só acontece. Não interessa se a pessoa mais perfeita do mundo é afim de você, você só não acha graça alguma nela e acaba correndo pra aquela outra desleixada, mas que faz seu coração querer pular pra fora do corpo. E ninguém pode te culpar por quem você ama. Mas você tem todo o poder de escolher o quê fazer com esses sentimentos. Amar alguém é uma coisa, se humilhar é outra.
Plantei ilusão e colhi decepção. Da próxima vez planto batatas, pelo menos dá pra fritar e comer.
Me beija. Me leva pra cama, coloca sua perna no meio das minhas. Acaricia o meu rosto, e me chama de “minha”.